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ANALGESIA EPIDURAL NO PARTO
A DOR NO PARTO
Durante nove meses o seu bebé desenvolve-se no
seu ventre. Passado esse tempo de adaptação e preparação, chega
finalmente O DIA . Relativamente a ele, são normais algumas
perguntas. Uma delas é: - será o parto doloroso ? Esta é, de
facto, uma pergunta normal, sobretudo quando se trata do primeiro
parto. A resposta, no entanto, não é muito fácil. A dor varia de
mulher para mulher, podendo ser insuportável ou tolerável. Muito se
poderia dizer acerca deste assunto. No essencial, podemos
afirmar que, teoricamente, a dor do parto é comparável à que se
sente quando se acorda, depois de uma operação. A grande diferença é
que a dor do parto tem uma vertente positiva - a origem de uma nova
vida. A alegria do nascimento de um filho compensa largamente o
sofrimento passado. É por isso que, embora mais de 80% das mulheres
tenham dores fortes no primeiro parto, a felicidade do momento faz
com que rapidamente as esqueçam.
No organismo humano existe um conjunto de
orgãos, a que chamamos Sistema Nervoso, formado por células
especiais, que transmitem e interpretam as sensações.
A dor
é uma sensação desagradável, de intensidade muito variável,
consoante as circunstâncias da sua génese. O seu tratamento eficaz
exige que se tenham conhecimentos profundos quanto às suas causas,
mecanismos e circuitos de condução dos estímulos dolorosos, meios de
controlar esses mecanismos, medicamentos e técnicas mais adequadas
para o tratamento.
O anestesista é um médico especializado em
tudo o que se relaciona com a dor e seu tratamento.Conhece bem o
Sistema Nervoso do nosso organismo, assim como os medicamentos e as
técnicas de anestesia local e geral. Com a utilização do medicamento
certo, pela via de administração adequada, consegue anular ou
minimizar os estímulos de dor, enviados ao cérebro pelas fibras
nervosas. Também controla o tempo de actuação do medicamento.
Assim poderá administrar a dose ou doses necessárias para alívio da
dor, durante todo o período de tempo em que esta possa existir.
A analgesia epidural é uma técnica locorregional que permite o
alivio da dor, mantendo-se a parturiente consciente e completamente
colaborante. Numa anestesia geral, o anestésico é injectado na
circulação sanguínea. Atravessa a placenta e atinge o bebé apesar de
em doses desprezíveis, no entanto na
analgesia epidural isso não acontece. O anestésico local atravessa a
barreira da placenta numa quantidade mínima, não comprometendo
o bem estar do bebé. As fibras nervosas que transmitem os estimulos
dolorosos da região inferior do organismo, são bloqueadas
directamente, não sendo necessário administrar medicamentos através
da circulação sanguínea.
Para realizar a analgesia epidural, o
anestesista introduz uma agulha especial entre duas vértebras da
coluna
lombar e coloca um dispositivo tubular, muito fino, no espaço
epidural - o cateter epidural. A execução da técnica não é dolorosa
para a grávida, sentindo apenas uma ligeira picada para anestesiar a
pele. O anestésico injectado através do cateter, alcança rapidamente
as fibras nervosas, bloqueando os estímulos dolorosos originados no
útero e orgãos genitais. A analgesia epidural faz desaparecer a
sensação de dor, 10 a 15 minutos após a primeira injecção.
Todas as vezes que a dor recomeça, é injectada uma pequena dose
adicional, através do cateter epidural. As contracções do útero
continuam (e é normal que a parturiente tenha a percepção de tal
facto), prosseguindo o trabalho de parto. Desta forma, a parturiente
mantém-se activa e colaborante - aspecto da máxima importância para
que o trabalho de parto decorra com normalidade - sem a dor
constante e extenuante que a impede de apreciar verdadeiramente o
nascimento do seu filho.
Entretanto, a analgesia epidural
também facilita e favorece a evolução da dilatação do colo do útero.
Entre outras consequências, a dor determina algumas alterações
hemodinâmicas e faz com que a parturiente respire de uma forma
rápida e superficial, levando a que menos oxigénio alcance o bebé.
O alívio eficaz da dor, obtido com a analgesia epidural,
constitui um contributo da máxima importância para anular ou
minimizar tais inconvenientes. Uma parturiente calma e desperta
obtém as melhores condições para que o seu bebé ultrapasse com um
mínimo de sofrimento o stress do trabalho de parto.
O anestesista mantém-se acessível durante todo o trabalho de
parto. Controla, através da observação clínica e por meio de
aparelhos, todas as funções vitais do organismo.
Assim, a
tensão arterial, os batimentos cardíacos e a respiração, por exemplo,
são continuamente verificados. Também o bebé é controlado através de
um aparelho que monitoriza os seus batimentos cardíacos e a
intensidade das contracções do útero - o cardiotocógrafo.
AS CONTRA - INDICAÇÕES E OS RISCOS
A analgesia epidural é uma técnica praticada
há mais de 30 anos, cada vez mais utilizada.
Entretanto, é
importante saber-se que, em alguns casos, está contra-indicada: -
p.e. quando há uma infecção localizada ou generalizada e quando
existem alterações da coagulação sanguínea. Também deve evitar-se
quando exista doença do sistema nervoso central ou quando estão a
ser utilizados certos medicamentos com efeitos sobre o sistema de
coagulação sanguínea.
Graças ao aperfeiçoamento dos
equipamentos e ao aparecimento de novos medicamentos , a analgesia
epidural realiza-se hoje de forma muito segura. As complicações são
extremamente raras. De tal forma que, ponderando o risco e o
beneficio da sua utilização, a opinião unanime de toda a comunidade
científica é a da sua recomendação.
Igual posição é da
generalidade das mulheres que dela usufruiram para analgesia de
parto, manifestada na resposta a inquéritos que lhes foram dirigidos
após a alta, nos mais diversos países.
Se faz parte do grupo de pessoas que ainda não se renderam às
vantagens da epidural, saiba que, afinal, não há razão para tanto
medo.
Um estudo do Bath Royal United Hospital quis
avaliar em profundidade os riscos reais para a saúde decorrentes da
administração deste método de anestesia. Foram avaliados 700 mil casos
durante um ano e concluiu-se que, afinal, estes eram dez vezes
inferiores às estimativas, isto é, apenas um em cada 23 mil.
No que se refere à sua
aplicação nos partos, o risco de danos permanentes é ainda menor – um
caso em cada 80 mil.
A aplicação da epidural não se restringe apenas à
anestesia no parto; o método é utilizado em pequenas intervenções
cirúrgicas, ao joelho ou anca, por exemplo. Muitas gente ainda associa,
no entanto, a sua aplicação ao risco de paralisia ou até de morte.
A EPIDURAL E AS DORES LOMBARES
Foi feiro um estudo no
Canada a fim de determinar se a analgesia epidural durante o
trabalho de parto e o parto é um factor de risco para as dores
lombares a seguir ao parto. O estudo foi feito em 329 mulheres
tendo sido excluídas as que tinham já dores lombares antes da
gravidez. Das 329, 164 fizeram analgesia epidural e 165 não o
fizeram. As conclusões a que chegaram foram as seguintes: 53% das
que fizeram epidural (1º grupo) referiram dores lombares no primeiro
dia e 43% das que não fizeram (2º grupo), também referiram dores
lombares. Ao fim de 6 semanas 14% do 1º grupo e 7% do 2º grupo,
mantinham as dores lombares. Portanto, em termos estatísticos, a
epidural não é uma causa significativa de dores lombares. Podem
aparecer apenas de uma forma transitória.

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